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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

No vagão da vida

Foto: Elisa Macedo
 A fumaça ao longe e o barulho do metal. Tudo isso me arrastou há anos valentes, onde o riso era explodido e as lágrimas correntes. Parado naquele lugar, pude perceber o quanto o tempo passa rápido e transforma as circunstâncias. Mas, em certos aspectos, ele é incapaz de nos mudar.
Quando aquele único farol quase me cegou, fui capaz de enxergar toda a vida que tinha planejado para mim, logo ali em minha frente. Entretanto, nada daquilo aconteceria. Nada é como o planejado.
Foto: Elisa Macedo
Daí, então, percebi que as pedras nos trilhos e o sol fraco que se esmaecia por trás da figura imponente em minha frente, era um preludio de tudo o que a vida seria para mim. Eu bem poderia correr para outra direção, só que naquela estação eu sabia que havia algo a mais, digno de ser esperado.
Enfim, ele parou.
Foto: Elisa Macedo
Aquele maquinário romanesco, com tinta ressecada, vidros embaçados e barulho ensurdecedor era o meu passaporte para dias melhores, mas não mais fáceis.
Entrei.
E, mesmo mudando de vagão em vagão até chegar ao destino proposto, vejo que nada muda de fato. O que tenho são meras representações diferentes de um igual real.
Coube-me agora escolher uma poltrona menos incômoda, um lado com paisagens mais belas e onde não tivesse tantos outros passageiros ao meu redor. Afinal, um dia todos chegaremos ao mesmo destino. Quero apenas que minha viagem seja a mais tranquila possível. E, se alguma eventualidade acontecer, preparo-me neste instante para conhecer outro vagão, mas abandonar a locomotiva, jamais!
Acho que aprendi o significado do "vamos viver". E, como se vive? Vivendo!


Elisa Macedo.

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