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terça-feira, 30 de setembro de 2014

A Espera do Sol

Foto: Lis Macedo / Juiz de Fora
 Só uma palavra a dizer. E, mesmo assim, ela não sai.
"Vinde a mim todos os que estais cansados". Tudo o que eu mais queria neste momento era correr para o mais próximo daquele que disse estas palavras e encontrar o alivio prometido.
A desconstrução de um mundo é horrível de se assistir. Talvez, até mais do que ficar olhando para um lote vazio, cheio de perspectivas e possibilidades para construção de algo que possa nem mesmo sair do papel algum dia.
É um sentimento de "rebobina a fita, algo deu errado". Porém, por mais que se rebobine, o máximo que se poderá fazer é voltar atrás para assistir o erro, sem jamais poder gravar uma nova cena de novo... Uma nova história.
É como se o certo a ser feito tivesse atraído todas as bombas para aquele abrigo dificilmente construído. Seu "amigos" assistem às bombas caindo, lamentando ao longe, mas sem correr o risco de serem bombardeados também. Seus inimigos assistem de perto, ainda que com uso de um binóculo, para não perderem o menor detalhe que seja.
Não se fazem mais profissionais como antigamente...
Chega-se a um ponto em que você mesmo já não quer mais nada. Apenas encontrar aquele que disse "vinde a mim  todos os que estais cansados e oprimidos".
Só uma palavra a dizer. E, mesmo assim, falá-la não irá aliviar.
Cansaço.
Desistir não é uma opção. Mas, são nestes momentos que eu sempre penso em algo que me serve de consolo "realmente, não nascemos para viver aqui".
Indo até aquele que disse "vinde a mim".

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

No vagão da vida

Foto: Elisa Macedo
 A fumaça ao longe e o barulho do metal. Tudo isso me arrastou há anos valentes, onde o riso era explodido e as lágrimas correntes. Parado naquele lugar, pude perceber o quanto o tempo passa rápido e transforma as circunstâncias. Mas, em certos aspectos, ele é incapaz de nos mudar.
Quando aquele único farol quase me cegou, fui capaz de enxergar toda a vida que tinha planejado para mim, logo ali em minha frente. Entretanto, nada daquilo aconteceria. Nada é como o planejado.
Foto: Elisa Macedo
Daí, então, percebi que as pedras nos trilhos e o sol fraco que se esmaecia por trás da figura imponente em minha frente, era um preludio de tudo o que a vida seria para mim. Eu bem poderia correr para outra direção, só que naquela estação eu sabia que havia algo a mais, digno de ser esperado.
Enfim, ele parou.
Foto: Elisa Macedo
Aquele maquinário romanesco, com tinta ressecada, vidros embaçados e barulho ensurdecedor era o meu passaporte para dias melhores, mas não mais fáceis.
Entrei.
E, mesmo mudando de vagão em vagão até chegar ao destino proposto, vejo que nada muda de fato. O que tenho são meras representações diferentes de um igual real.
Coube-me agora escolher uma poltrona menos incômoda, um lado com paisagens mais belas e onde não tivesse tantos outros passageiros ao meu redor. Afinal, um dia todos chegaremos ao mesmo destino. Quero apenas que minha viagem seja a mais tranquila possível. E, se alguma eventualidade acontecer, preparo-me neste instante para conhecer outro vagão, mas abandonar a locomotiva, jamais!
Acho que aprendi o significado do "vamos viver". E, como se vive? Vivendo!


Elisa Macedo.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Coisas que não mudam

Há muito tempo eu descobri o que eu posso perder por ser como eu sou. Mas, mesmo assim, eu não desisti de mim.
Algumas mudanças foram necessárias no percurso. Entretanto, de mim mesma, eu sou o que tenho hoje. Muitos constroem carreiras, famílias, sonhos, ideias. Eu continuo no árduo processo de me auto construir.
Não tem sido fácil viver em um mundo que te obriga a atender expectativas, enquanto você está totalmente disposto a frustrá-las para continuar sendo você.
Com isso, posso listar uma série de coisas que eu já vi passar pela minha vida que levariam muitas pessoas reverem se "ser como sou" realmente vale a pena. Porém, depois de uma série de reflexões e análises sobre quem eu sou, chego a seguinte conclusão: não vou levar mesmo nada dessa vida. Sendo assim, porque vou desprender meu tempo nesse plano para, simplesmente, agradar aos outros, mesmo que isso custe anular coisas que eu acredito e, até mesmo a meu respeito?
De amor a relacionamentos familiares, pelos extremos é possível perceber que eu não tenho medo de arriscar em perdas. Afinal, depois de tudo, o que resta é aquilo que somos. Quando todos vão embora, quando não há mais ninguém para agradar, nem para receber agrado e somos nós conosco mesmos, neste momento, eu olho pra mim e não desgosto do que vejo.
Ainda não sou o modelo daquilo que pretendo alcançar. Pode ser inocência minha, imaturidade, infantilidade que ainda resta dessa vida de tantas caminhadas, mas eu acredito que é possível construir um mundo baseado nas verdades e que as pessoas são capazes de lidar com elas.
Tenho aprendido a lidar com as minhas próprias. Não é tarefa fácil, mas foi o que eu me propus.
Quem estiver disposto, essa é minha medida e o meu peso. Não mais, não menos!

Elisa Macedo, da Princesa de Minas.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Setembro

Sempre fui uma apaixonada pelo mês de setembro.
Este mês sempre me trouxe boas coisas, bons aromas, boas experiências e, principalmente, belezas diferentes no romper da manhã.
Um mix de cheiro de chuva, com os primeiros raios de sol. Um vento gelado com o calor envolvente... Sempre foi a mistura perfeita de um amanhecer em minha mente.
Agora, em uma nova realidade, nova casa, novos rostos, novo tudo... O mais interessante é acordar com o cheiro de pão e a alegria de uma cidade que me espera para movimentá-la.
Bom dia, flor do dia!

Elisa Macedo