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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Nova estação de trem

Foto: Lucas Ramos
 Quando lembro os dias de chuva e frio, eu me lembro de cada palavra. Lembro-me de todas as chances que foram dadas para que um novo começo enfim começasse. Para que uma nova vida fosse vivida, para que um novo olhar fosse lançado para dentro dos olhos da vida. Enxergando uma nova oportunidade de se dar uma oportunidade.
Lembro-me das gotas, do vento, das pessoas, das vozes, das corridas. De sonhar com uma vida sonhada e não vivida, e de viver uma vida sonhada que não fora imaginada capaz de algum dia ser vivida.
Uma porta aberta que leva à outras mais. Outras mais. Outras de mais para se pensar em todas neste momento.
Foto: Lucas Ramos
Lançados como uma bola de futebol americano, teletransportados como os doces de Willy Wonka, estamos nós de novo em estações esperando nossos trens. Definitivamente diferentes estações, diferentes trens, diferentes destinos que nunca mais, nunca mais se cruzarão, nunca mais se encontrarão, nunca mais se verão e nunca mais se unirão.
A certeza de que o fim já chegou e que este é o fim do final, dá uma forte vontade de viver e de encontrar um novo começo de um outro início.
A certeza de que nada foi em vão, de que tudo significou e significa. De que cada segundo valeu à pena... Hoje... Valeu à pena. Valeu lembrar, valeu viver, valeu sofrer, valeu crescer, valeu querer fugir, se fugir me trouxe até esta nova estação.
Foto: Lucas Ramos
Piuí-tic-tac meu comboio me espera. Na estação vejo crianças brincando, velhos dançando, músicas tocando. Vejo sorrisos, vejo o sol, vejo o mar, vejo pedras, vejo ladrilhos. Vejo tantas coisas que hoje sozinha consigo ver, que antes acompanhada eram encobertas pela cortina de lágrimas que me impediam de ver um mundo além de mim.
Hoje há nuvens, hoje há ventos, hoje não é o clima perfeito para uma foto perfeita, mas está perfeito para ficar na memória de quem começou a seguir uma nova trilha em direção ao infinito.
Desculpe baby, this is who I am.
Foto: Lucas Ramos
Talvez se entenda o porque a vida nos leva para outros caminhos antes de nos deixar em casa. Talvez se descubra isso, nessa ou em outra espera. O que acontece agora é que se aproveita o tempo, se aproveita o barulho e... Olha só. Piuí-tic-tac, preciso ir. A vida me chama e eu estou indo amor. Adeus. Estou indo cada vez mais longe de tudo, principalmente de você. Agora eu estou indo, não vou dizer para não esperar por mim, pois isso já disse antes. Agora digo que não espero por você, pois dessa vez, sou eu quem estou indo amor. Eu estou indo amor, eu estou indo viver.
Piuí-tic-tac, descobri que posso viver sem você.

Elisa Macedo.

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