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quarta-feira, 3 de abril de 2013

E o Vento Levou

Deixando os melindres introdutórios que gramaticalmente, ou sintaticamente digam-se corretos para iniciar uma texto, seja ele de qual espécie for, vou direto ao ponto: Estou terminando de ler "Gone With The Wind" e, se não fosse o meu hábito de treinar meu inglês arranhado em qualquer situação pertinente que me apareça, talvez eu tivesse de primeira colocado o velho e bom, ou não tão bom, título em português "E o Vento Levou" de Margaret Mitchel.
Confesso que me surpreendi como o livro e, ainda que por alguns espaços o tenha achado cansativo por tanta minúcias à Guerra de Secessão nos Estados Unidos, compreendo que se fez necessário tal dissecação para facilitar na compreensão e criação do ambiente psicológico para o leitor que não viveu naquela época. Estou amando. Descobri que gosto do anti-herói e não fiz tal desvendamento ao ler o livro. Essa foi apenas mais uma comprovação ao não sentir simpatia alguma por Ashley Wilkes, enquanto desde o primeiro momento Rhett Butler muito me atraiu com seu sarcasmo e sagacidade. Em termos meninísticos do século XXI estava de frente com um Steffan e um Damon. Nem preciso citar quem perdeu.
Em todos os casos, não que Ashley não apresente um padrão interessante de homem, com bagagem erudita,  bem letrado, no entanto, sua falta de ação e somente reação diante dos fatos me entristece. Ele me parece um amor dolorido do qual eu não teria a menor paciência para vivê-lo. Por outro lado, temos o sarcasmo, perspicácia e infâmia de Rhett que não se tornam aspectos diminutos de sua pessoa, nem o tornam menos sabido, uma vez que pelas diversas referências colocadas pela escritora nas falas de Rhett, este é muito conhecido do universo acadêmico, só não o usou para viajar em maioneses já comidas, mas pegou os ingredientes para criar a sua própria com um tempero todo especial, o que para mim, constituiu o seu charme.
Não consigo vê-lo sem conhecimento, seria apenas um saco a propalar sarcasmos a esmo, nem mesmo é possível concebe-lo sem esse tom zombeteiro, o que o transformaria em mais um Ashley dos quais estão em extinção, mesmo que não me agrade, são melhores partidos do que os "desculturados" de minha geração.
Em todos os casos, sempre acontece a identificação com o personagem da trama e, confesso que não me agrada srta. O'Hara, nem saber que tenho coisas em comum com ela. Melly por outro lado é um poço de firmeza, embora todo o recheio de fragilidade, pareceu-me até essas últimas 800 páginas uma mulher forte e íntegra.
Não quero aqui entrar nos duelos de racismos evidentes, aristocracia patente, divisão de classes, machismos e feminismos, deturpação de valores, escrita tendenciosa, embora sempre se tenha um  "quê" de aproveitável, todavia apego-me ao  que me interessa, o que tiro de proveito dessa história. Deixo aqui marcada minha identificação desgostosa com o pensamento de Scarllet na maior parte das vezes "penso nisso depois" (como fiz logo acima e por diversas vezes nesse blog com um "posto isso depois") e no fim, não acaba pensando nada. Mas, mesmo com certos encontros de personalidade, não me agrada a ignorância, tolice e egoísmo mesclados em uma só pessoa que, por mais galante que viesse a ser, não teria direito de menosprezar seja quem fosse, ainda que ímpetos de colocar  certas pessoas em lugares que pensamos que elas devam ocupar venham à mente de todos, nem que seja uma vez na vida, imagino eu.

Mas, para mim, ficou muito clara a situação da mulher naquela sociedade e o quanto determinados aspectos ainda não mudaram. É como Rhett bem afirma que o problema é ser diferente dos demais e aí o problema não se estaciona no sexo feminino, mas acelera para todos os pertencentes a sociedade e os seus diversos grupos sociais.
Vejo que a roda gigante rodou, rodou, mas de alguma forma ela parou no mesmo ponto...
Estou caminhando para concluir o livro, mas irei me permitir e dormir com o pensamento de Rhett e Scarllet casados. Não sei, estou com tanto medo de me decepcionar com mais esta história que estou quase dando por finalizada minha leitura e abandonando as próximas  quase 150 páginas a correr o risco de ver acontecer com essa linda história o mesmo que aconteceu com OTH que deveria ter terminado na 6ª temporada, ou a songa da Peyton dado espaço pra Broke e fecharem a história em uma 7ª. Ou então em The OC, em que a 4ª temporada foi bonitinha, mas sem noção perto do contexto geral... Em todos os casos, aguardemos. Pelo visto amanhã termino minha série de leituras...
Em breve Macbeth!

Sweet Dreams

Lis Macedo 

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