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sábado, 14 de agosto de 2010


Foi-me negado até o direito de chorar, até o direito de lamentar, até o direito de reclamar.Outra vez.... Outra vez eu estou sozinha com meus pensamentos jogados pela janela sem alguém para me amparar e me dizer o que fazer. Outra vez sou obrigada a amadurecer sozinha, compreender os sentimentos dos outros sem que ninguém, ou alguém compreenda, entenda, ou se esforçe para aceitar os meus.
Mais uma vez eu estou aqui... Morrendo de vontade de chorar, sozinha no meu quarto, com as caixas de som extremamente mudas para não ter nenhum barulho além do barulhento tilintrar do teclado a me recordar esse momento triste.
Outra vez eu tenho um lado triste.
Outra vez alguém pensa estar me fazendo triste.
Mais uma vez as pessoas pensam que não são boas o suficiente para mim, ou que eu não sou boa o suficiente para elas... Mais uma vez.
Minha história é um filme repetido que eu assisto com frequência esperando inutilmente que o final seja diferente, sendo que no final das contas não importa quantas vezes se assista, tudo será exatamente igual.
O Jack sempre morre no fim do Titanic e por mais triste que seja o que a Rose tem é apenas uma vaga lembrança de um amor sufocante de alguns dias perfeitos.
 Para mim só restam as lembranças dos dias perfeitos.
Ser feliz com as migalhas dos dias tristes, conformar-me em dividir tudo que eu tenho, inclusive as pessoas que amo, não chorar ao ver meus amores mentindo, não perguntar caso digam que irão fazer algo e fazem outra coisa, sofrer calada, ficar na minha, não me pronunciar, afinal, foi me tirado até o direito de chorar, até o direito de renunciar... eu não tenho direito a nada pelo visto.
Eu... eu... eu tenho que entender quando alguém chora, quando alguém está com ciumes, quando alguém está pobre, quando alguém está com frio, quando alguém está sozinho, quando alguém está sofrendo, quando alguém está alguma coisa sei lá o que... eu sou obrigada a entender. Mas se sou eu quem estou com algo, ninguém, ou mesmo alguém, nenhum destes podem fazer algo por mim.
Eu estou sempre sozinha.
Eu estou sempre por alguém... Eu estou sempre fazendo as coisas por alguém, pensando no bem de alguém, lutando por alguém, buscando melhorar alguém, tentando ensinar alguém e no fim das contas, nem mesmo eu, nem mesmo eu estou por mim.
Estou tão sozinha que eu mesma me abandonei de tanto ser escada para os outros eu estou aqui em baixo, sem mérito, sem carinho, sem gratidão, sem amor, sem compreensão.
Estou apenas cumprindo minha tarefa, mais uma vez me obrigando a cumprir mais uma parte do trato, esperando outra pessoa ocupar o meu lugar, para enfim, mais uma vez eu fechar meus olhos para não chorar e sair de campo para outra ser feliz no jogo que eu mesma arrumei para eu perder.
Eu estou cumprindo o que prometi. Eu ainda estou aqui. Eu ainda posso ajudar. Mas eu sofro ao perceber que todos realmente querem outra pessoa em meu lugar e eu continuo com essa mania absurda de não substituir as pessoas.
Espero algum dia encontrar alguém que me faça insubstituível em sua vida e que não queira me deixar ir embora. Espero ter nem que seja um amigo que possa me abraçar e dizer que está comigo mesmo que eu não esteja com ele. Alguém que faça algo por mim sem interesse em receber algo em troca. Alguém que esteja comigo sem ser pelo peso do fardo, que muitas vezes é horrível, da tal gratidão. Espero tropeçar nesse alguém e ainda que seja para ficar estática, mas parada na felicidade.
Cansei de ficar na calçada dando conselhos aos outros que eu mesma deveria seguir.
Sempre ajudando os outros, mas sem tempo para ajudar a mim. Cada hora que um se levanta da minha cadeira de pacientes outro se assenta no lugar e eu com pena, com compaixão não digo 'estou de partida'.
Eu só quero alguém que não me use e que me queira para sempre em sua vida.
Insubstituível, irremovivél, eterna e para sempre, ainda que eu não mereça... Eu quero alguém que simplesmente me ame e que me ame com um amor tão incodicional, como aquele que já dediquei a tantas pessoas da minha vida, ou até mesmo maior (já que agora sou alguém gananciosa de amor), que me ame a ponto de me amar com meus defeitos e não só as minhas qualidades.
Quero um amor sem culpa, um amor sem julgamentos, um amor sem o peso do 'obrigado', um amor que não me difame, um amor que me proteja e me guarde, um amor amor... apenas amor, pois se é amor, tem que ter tudo isso e muito mais... tem que ter revelação dos segredos guardados que trago comigo. Um amor que supõe e chega a quase advinhar meus pensamentos e me faz feliz sem eu ter que implorar 'me ame'.
Eu só quero ser insubstituível na vida de alguém. Eu só quero ter certeza de que na vida de alguém eu não poderei ser trocada por ninguém, ou por alguém.
Eu só quero saber se realmente fui amada nessa vida.
Amada sem ser necessário chamar a atenção, pois alguém que realmente me ama sabe que eu estou sempre ali e irá preferir gastar mil minutos dizendo te amo sem necessidade, do que tentando provar isso depois de uma briga porque eu tive que dar um jeito de trazê-lo para perto de mim.
É tão ruim se sentir rejeitado...
humilhado...
Abandonado...
Quando as pessoas só fazem algo por você quando sabem que realmente irão te perder.
É tão ruim perceber que você só é importante na hora do adeus.
É como se você fosse o defunto vivo, aquele do qual as pessoas só se dão conta que sentirão falta quando ele fecha a porta e diz que não irá voltar nunca mais.
Todos choram, percebem o quanto aquele alguém era bom, mas no outro dia no sofá assistindo tv terá outra pessoa em seu lugar.
Só quero ser insubstituível para alguém e que ainda que eu me vá ninguém no mundo irá ocupar o meu lugar.

Nota do dia: Decepcionada comigo mesma por dizer que não serei mais escada na vida dos outros, mas sempre ficar com peninha dos outros, sendo que esses no primeiro momento de fúria da minha parte me trocam no lugar de me procurarem para me abraçar e dizer te perdoo, assim como muitas vezes já fiz por eles. O meu problema é só um, no momento, julgar as pessoas pelo que eu sou.

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